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Santo Estêvão

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Santo Estêvão e sua lavagem

Por Redao TNews 13/02/2020 às 22:52:32

Foto: Ascom

Porque a lavagem do Porto Castro Alves?

O trecho do rio Paraguaçu que corta a nossa região teve como marco importante, o porto "papa gente", que em 1922, recebeu a justa homenagem, passando a se chamar Porto Castro Alves, nome do filho ilustre da cidade vizinha - o poeta dos escravos.

A barragem mudou a nossa região e fez desaparecer pontos notáveis, como as cachoeiras Marcela e Roncador, diversas corredeiras, e a beleza natural de um rio perene, que nasce na Chapada Diamantina, e entrega suas águas na Baía de Todos os Santos, depois de percorrer 600 km. As águas do rio Paraguaçu alimentam o povo, e o que excede se encontra com o mar. A cidade de Cachoeira, tão importante na história do Brasil, que sofria em tempos de cheia, tem a barragem como importante marco de proteção de seu povo e a garantia de preservação de seu conjunto arquitetônico, conhecido internacionalmente.

A lavagem traz o sentido de agradecimento, e a realização da festa tem como motivação principal, trazer à tona a contextualização da existência do lago de Pedra do Cavalo, marco para a manutenção da população regional.

É com a importância desse rio, a lembrança de Castro Alves, a existência dos nossos ribeirinhos, por seu porto de travessia, que irmanados, trazem esse momento festivo, que ilumina Santo Estevão, as cidades vizinhas, Salvador e sua região metropolitana, para juntos comemorarem a grandiosidade desse reservatório que traz garantia para a vida de tantos.

É importante lembrar que nos dias atuais, o rio se transformou num grande reservatório de água, que serve para alimentar as comunidades da região, fornece água para comunidades distantes, sendo responsável pelo fornecimento de mais da metade da água consumida por Salvador e região metropolitana.

Além do fornecimento de água, Pedra do Cavalo é responsável pela geração de energia, irrigação agrícola, pesca e piscicultura, e navegação turística para o lazer.

Pedra do Cavalo é responsável pela geração de emprego e renda no Estado, com benefícios para os municípios no entorno do seu lago.

Não podemos esquecer o lado triste dessa obra, quando mais de trinta mil pessoas foram desalojadas de suas comunidades, sendo relocadas, sofrendo o impacto ao serem retirados das regiões ribeirinhas aonde habitavam tradicionalmente, e de onde retiravam o seu sustento.

Fazer uma lavagem, que começou em 2010, por decisão de Rogério Costa, remonta a vontade do santo-estevense, para agradecer a importância que o lago de Pedra do Cavalo tem para a nossa região e para a Bahia.

Sua valoração inter-religiosa, que, como tal espécie, através dessa festa, visa agradecer a Deus, nosso criador, em sua cristandade, e também pelas religiões de matriz africana, que rendem graças a Oxalá, orixá associado à criação do mundo e espécie humana, Iemanjá, a rainha das águas, e Oxum, orixá das águas doces dos rios e cachoeiras, da riqueza, do amor, da prosperidade e da beleza, tudo em prol da preservação e acumulação segura de água no lago, o que proporciona tranquilidade em tempos difíceis que viveu e vive o nordeste.

O sonho dessa barragem foi materializado por Antonio Carlos Magalhães, ese tornou realidade em 1985,sob o comando de João Durval Carneiro. Mas Pedra do Cavalo começou lá atrás, com estudos do engenheiro civil e professor Américo Simas, natural de São Felix, falecido em 28 de janeiro de 1944, que realizou os primeiros estudos para a construção de uma nova barragem, no inicio dos anos de 1930, para o fornecimento de água bruta para Salvador, e para regular o problema das cheias no rio Paraguaçu, que afetavam sua cidade natal São Felix, e Cachoeira. Américo Simas é um nome esquecido, que precisa ser valorizado pela nossa região, pela riquíssima participação na história da engenharia no Estado.

Pedra do Cavalo começou a virar realidade entre 1971 e 1975, com Roberto Santos, depois de discussões entre a comunidade e o Governo do Estado, e serviram como argumentos decisivos para o andamento da obra, o controle das cheias do rio Paraguaçu, que inundavam as cidades históricas de Cachoeira e São Felix; a geração de energia elétrica, vital para o desenvolvimento do Estado, para viabilizar os empreendimentos industriais localizados no Centro Industrial de Aratu, no recém criado Complexo Petroquímico de Camaçari e o Centro Industrial do Subaé em Feira de Santana; a oferta de água para o abastecimento da região metropolitana de Salvador.

Salvador através de adutoras, de estações de bombeamento e tratamento de água, além de um novo sistema de abastecimento de água para a cidade de Feira de Santana, segunda maior cidade do estado e também para a região fumageira; o desenvolvimento da agricultura irrigada para a região de Cachoeira, Feira de Santana e Santo Estevão, com a oferta de água do futuro lago (nos moldes do que já começava a ocorrer em Juazeiro com a barragem de Sobradinho); a constituição de criadouros de peixes através da aqüicultura, promovida pelo Governo do Estado da Bahia; e a prática de esportes náuticos e turismo regional, a partir da construção de parques aquáticos e áreas de lazer ao longo do lago, nos diversos municípios da região.

Santo Estevão sempre esteve presente nessa história. O rio Paraguaçu é grande e valoroso – havia uma previsão da barragem ficar cheia em dez anos, mas ao final de quatro anos, Pedra do Cavalo se encheu e permanece firme e forte até os dias atuais.

É importante lembrar que Pedra do Cavalo recebe água de outros rios, ressaltando-se o rio Jacuípe.

Conta uma lenda que escravos se deitavam para descansar nas pedras ao lado do rio e começavam a ter visões de cavalos correndo, por isso o nome de Pedra do Cavalo.

Pedra do Cavalo cobriu com suas águas, terras de Feira de Santana, Santo Estêvão, Muritiba, São Gonçalo dos Campos, Conceição de Feira, Antonio Cardoso, Governador Mangabeira, Cachoeira, Cabaceiras do Paraguaçu, Castro Alves, Rafael Jambeiro e São Félix.


Francisco Anísio Costa Pinto, autor

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