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Um rosto esquecido no galpão abandonado da memória

Por Redação TNews 04/04/2022 às 00:16:52

Por Leo Moura | Dia desses eu pensava — cá com meus botões, que, um dia a mais, é só mais um dia a menos. E fatalmente vão correndo, voando, cada vez mais rápidos, promovendo, com o chegar da idade, uma percepção louca de que se vão encurtando as horas.

Aí, de repente, num desses sessenta minutos quais quer, alguém me veio à mente. Um rosto esquecido no galpão abandonado da memória. Ao mesmo tempo, um vento do passado soprava pelos corredores da casa e me entregou a fatura da ingratidão.

Pra piorar, como "bom" pecador arrasto aos trapos e morta de sede a carcaça do pudor que muge aquele nome. Se o futuro é incerto, o passado irretocável. Rogo a Deus pela minha vida, esse castelo de cartas sob ameaça do vento atroz.

Mas, para não enlouquecer, dou graças pelos afazeres. Preciso acondicionar o lixo no quintal. Gosto de arrumar tudo em sacos pretos. Tem aqueles e-mail pra responder; pagar a fatura do cartão; cobrar do serviço público a lâmpada apagada na esquina. Preciso dos préstimos de um pedreiro, para solucionar um probleminha no banheiro.

Essas coisinhas chatas e urgentes gritam pra que eu as resolva; só tem que sou lento e esquecido, preguiçoso (que vergonha) também, só consigo cumprir uma por vez. Seguimos assim: corre ali, corre acolá, tirando os problemas da frente, ao menos até o fim; e chegaremos lá no último dia de todos os nossos dias, nem unzinho mais.

E aquele vento frio? Corre! Conserta já aquela vidraça que quebraste [ grita lá do passado a minha mãe]. Ninguém está preparado para, diante das dívidas e pecados, ver o castelo da vida desmoronar.

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